Desempenho da bolsa em 2024
O Ibovespa desvalorizou 10,36% em 2024. Além da queda expressiva do principal índice de ações da bolsa brasileira, tivemos uma forte valorização do dólar perante o real: +27,30%. Cabe destacar também que o desempenho da nossa bolsa – em dólares – foi um dos piores dentre as bolsas globais: -29,92%. O Brasil segue na “lanterninha”. Porém, precisamos enxergar o copo meio cheio. Embora eu não seja otimista em relação ao governo, eu estou confiante em relação às grandes empresas que atuam em setores perenes da economia e que pagam bons dividendos. Fique conosco até o final do texto e confira duas variáveis que contribuíram decisivamente para o desempenho da bolsa em 2024.
Boa leitura.

O juros americano é um forte competidor
No ano de 2024 observamos uma forte aversão ao risco por parte dos investidores. Boa parte do capital que estava alocado em países emergentes foi direcionado para os EUA. A economia norte-americana segue forte e a taxa de desemprego é baixa. Portanto, a principal preocupação do Banco Central dos EUA (Federal Reserve Bank) é o controle da inflação.
Tendo em vista as possíveis medidas protecionistas do governo de Donald Trump e os seus potenciais efeitos inflacionários, espera-se que o FED mantenha o juros americano em um patamar elevado por mais tempo. Por consequência, os investidores preferem investir nos títulos do tesouro americano em vez de aplicar em países emergentes.
Nesse sentido, observamos um outro efeito importante dessa dinâmica: a maior demanda por dólar tendo em vista a forte procura por ativos norte-americanos. Isso tende a fortalecer a moeda americana em relação às demais. Portanto, o desempenho da bolsa brasileira em 2024 pode ser em parte justificado pelo movimento do juros americano e as suas perspectivas.

O juros brasileiro também é um adversário difícil
Seguimos fazendo jus ao rótulo de um dos países com os maiores juros do mundo. A taxa básica de juros (Selic) está acima de dois dígitos desde 3 de fevereiro de 2022. Além disso, conforme o comunicado do Copom na reunião de dezembro de 2024, é provável que a Selic atinja o patamar de 14,25% ao ano em 2025.
A inflação está aumentando. O brasileiro já sente no bolso. Além disso, o déficit das contas públicas é assunto frequente na mídia. Gasto é vida. Cortar gastos não. O desemprego está na mínima, mas isso não significa necessariamente que as pessoas desfrutem de melhores cargos e condições mais dignas de trabalho. Se há um descontrole fiscal e a economia está aquecida acima do seu nível de produção, então, é razoável esperarmos juros mais altos para frear o consumo.
Assim, em um cenário de Selic alta e um elevado nível de incerteza tanto no cenário econômico interno quanto externo, é natural que os investidores prefiram a segurança do que o risco. Por exemplo, os títulos pós-fixados atrelados à Selic constituem uma excelente proteção para o capital do investidor com um risco mínimo. Logo, a retomada do ciclo de alta do juro brasileiro foi um outro fator decisivo para o desempenho da bolsa em 2024.

O que podemos esperar de 2025?
Embora o mercado financeiro faça diversas projeções com relação à economia e ao desempenho dos ativos financeiros, ele não é um vidente. Inclusive, não é raro observarmos projeções que no final se mostraram bem distantes da realidade. A economia não é uma ciência exata e a percepção de risco dos investidores tem uma forte influência nos preços dos ativos. Logo, não faz muito sentido especular se a bolsa vai subir ou descer.
As grandes empresas situadas em setores perenes da economia e que pagam bons dividendos conseguem tirar proveito dos ciclos econômicos favoráveis e demonstram resiliência nos ciclos adversos. Portanto, o foco principal da nossa atividade de investimento consiste em encontrar algumas dessas grandes empresas. Na minha opinião, a bolsa de valores não é um lugar para você ficar entrando e saindo conforme o juros ou o dólar sobe e desce.
Bons investimentos.
Referências
poder360.com.br/poder-economia/bolsa-cai-299-em-dolar-em-2024-e-tem-pior-resultado-desde-2015/